Por Christina NG
A levantadora de peso Kulson Abdullah estava quase sendo qualificada para o Torneio Aberto Americano no ano passado quando ela foi eliminada. Não foi seu regime de treinos, força muscular ou peso que manteve ela fora da competição. Foram suas roupas.
Depois de se qualificar para o Torneio Nacional, falaram a engenheira de computação com doutorado na Georgia Tech que ela não poderia competir porque o modesto vertuário atlético que ela usa para obedecer sua fé muçulmana poderia ser perigoso ou dar a ela vantagens injustas, uma vez que a roupa de manga comprida iria prevenir os juízes de ver se seus cotovelos estão travados.

A levantadora de peso Kulson Absdullah (Fonte: ABC News)
A desqualificação de Abdullah foi uma entre um grande número de disputas sobre o que as atletas femininas podem usar. Essas disputas surgiram no Futebol, na Natação, no Boxe e Ginástica, colocando atletas na difícil situação de ter que escolher entre sua religião e seu esporte.
Há algumas semanas atrás, a seleção iraniana de futebol foi desqualificada de um jogo contra a Jodânia para a próxima Olimpíada por causa dos véus que elas usavam. O oficial da FIFA disse que os véus violavam suas regras e que o pescoço das mulheres não podem ser cobertos por razões de segurança.
A Organização de Futebol Iraniana planeja protestar a decisão, mas será provavelmente muito tarde para ter chance de participar nas Olímpiadas de 2012, em Londres,
Esses conflitos tem produzido também trajes inovadores desenhados para acomodar as regras islâmicas e a necessidade de velocidade ou força.
O mais conhecido entre eles é o burkine, um maiô que cobre a nadadora de cima abaixo, com excessão a face, mãos e pés. Elas têm duas partes, um par de calças folgadas e uma parte de cima que inclue a cobertura para a cabeça e vai até o meio da coxa. Elas vêm em cores e desenhos diferentes.

A burkini (Fonte: http://thomasfortenberry.net/?p=1179)
A designer estabelecida em Montreal Elham Seyed Javad surgiu com um traje atlético depois de ouvir que o time de Tae-kwon-do de Montreal foi expulso de um campeonato em 2007 por causa das roupas das participantes muçulmanas.
Seyed Javad disse que ela entende tanto a necessidade de segurança quanto a dedicação das mulheres a suas crenças. Como uma atleta muçulmana, que opta por não usar um hijab em sua vida diária, ela começou a trabalhar para encontrar um compromisso.
“Nós estamos combinando esporte e cultura, então porquê não achar soluções para que nós possamos coabitar todos juntos?” Javad questiona.
Crenças muçulmanas requerem que a mulher seja completamente coberta, incluindo face e mãos.
Seyed Javad criou o Hijab atlético ResportOn. É uma peça justa sem mangas que é usada embaixo do uniforme regular. Ele cobre a cabeça e tórax e tem uma abertura atrás do pescoço que pode ser usado para ajustar o cabelo sem ter que tirar toda a peça. O material extremamente leve permite uma ventilação e seca 14 vezes mais rápido do que o algodão.
Depois de vestir o time de tae-kwon-do, a demanda se expalhou por todo o mundo, entre mlheres muçulmanas e não-muçulmanas. Ela recebeu ofertas de potenciais distribuidores por todo o mundo.
“Eu quero que o atleta seja julgado por seu talento e capacidade de jogar, não por suas crenças religiosas” Seyed Javad diz.
Enquanto o produto de Seyed Javad e os burkines abrem seu caminho adentro dos mercados internacionais, algumas outras opções tem estado disponíveis para mulheres muçulmanas.

Hijab Atlético ResportOn (Fonte: blog.stylesight.com)
Uma empresa chamada Capsters vende somente a peça de cobertura de cabeça e pescoço. Eles têm diferenres estilos para aerobica, corrida e surf, entre outras.
No passado, atletas têm sido capazes de trabalhar com organizadores de eventos esportivos para acomodar suas restrições. Nas Olimpíadas de 2004 em Atenas, permitiram que as mulheres competissem com véus, mangas compridas e calças.
Nas Olimpíadas de 2012 em Londres, foi permitido às boxeadoras muçulmanas usar o hijab na competição.
A levantadora de peso Abdullah, 35, decidiu protestar depois que foi desqualificada. “Se há outra mulher que se veste assim, seja em levantamento de peso ou outro esporte, ela deve ser capaz de participar sem ser impedida pelo que ela está vestindo.”
“Não há nada que impeça as boxeadoras de vestir o traje muçulmano completo. Obviamente, exigências religiosas devem ser consideradas e nós queremos ser os mais inclusivos o possível”, disse o representante da Associação Internacional de Boxe em 2009 quando a decisão foi tomada.
Apesar de Abdullah não estar levantando peso em nível olímpico, ela ainda tem esperança para o seu hobby. Ela achou um aliado no Conselho de Relações Islâmicas-Americanas. O CRIA baseado em Washington perguntou à Associação Americana de Levantamento de Peso e ao Comitê Olímpico Americano para defender Abdullah em nome de todas as mulheres que querem competir.
Cada esporte tem um corpo representativo e para o Levantamento de Peso, a decisão final vem da Federação Internacional de Levantamento de Peso.
“Nós ouvimos chamadas dos povos do Ocidente para o empoderamento das mulheres muçulmanas pelo mundo”, diz o relações-públicas Ibrahim Hooper do CRIA. “Se eles estão sérios sobre a inclusão, qual é a melhor forma de empoderar as mulheres muçulmanas que literalmente através do levantamento de peso?”
“É uma questão por todo o mundo. Enquanto as mulheres mais participarem, mais acomodações precisam ser feitas”, diz Hooper.
O Ato de Esportes Olímpicos e Amadores Ted Stevens dos Estados Unidos exige que todas pessoas possam participar “sem discriminação de raça, cor, religião, sexo, idade ou origem nacional, e o direito de aviso justo e oportunidade de uma audiência a qualquer atleta amador, treinador, gerente, administrador ou funcionário antes de declarar a inelegibilidade do indivíduo a participar”
Depois de ser contactada pelo Comitê Olímpico e pela Associação Americana de Levantamento de Peso, a Federação Internacional de Levantamento de Peso anunciou que iria pôr o tema na agenda de sua próxima reunião dia 27 de Junho de 2011 na Malásia.
“Para as mulheres em geral, não importa quais são suas crenças, o esporte têm sido dominado por homens e está prestes a mudar isso”, diz Abdullah, “Seria ótimo manter o ritmo”
Fonte: ABC News, publicada em 14 de junho de 2011.